Embora a gente seja biologicamente mortal, ou seja, a gente começa a vida morrendo, a nossa essência aqui, nesse mundo político e social, é justamente a capacidade de começar algo novo, de tentar, de insistir. Isso traz um ato de nascer, de renascer a cada começo.

E é isso que eu estou fazendo aqui. Começando uma conversa com pessoas que escolheram me ouvir no meio desse caos de informação que estamos vivendo. Escrevo essa primeira carta pra vocês de um jeito diferente de tudo que eu já escrevi. Sei que é uma audiência pequena, e é justamente isso que me deixa cheio de entusiasmo pela possibilidade de troca. Nenhuma tecnologia vai influenciar minha escrita, nenhuma paranoia vai me fazer querer transformar esse começo tão bonito em performance. Um começo despretensioso e cheio de energia. Podem acreditar.

[descrição da ilustração]

ainda cabe mais uma cadeira - pensado por mim, desenhado com ia

A frase do título é da Hannah Arendt e foi dita em um discurso da Marina Silva, quando perguntaram pra ela o motivo de ela não desistir de se eleger e como ela enxerga o mundo, com otimismo ou pessimismo. Ela disse: "Eu não sou nem otimista nem pessimista, eu sou insistente! Existir é insistir!" Achei bonito e pensei no quanto me falta gás para insistir nos meus começos. Preciso de vocês! rs

Descobri que tudo o que eu faço pra mim tem uma interseção entre arte, psicanálise, filosofia e espiritualidade. Portanto, não se assustem caso o assunto atravesse esses campos. Mas não será só isso, prometo.

E, por falar em arte, a música será protagonista por aqui. Por motivos óbvios. Porque escuto "Queremos Saber" (a versão do Acústico da Cássia) enquanto escrevo pra vocês, porque a música é meu ganha-pão e minha salvação, e porque é um assunto gostosinho pra todo mundo.

pra ampliar o repertório

  1. Discografia Brasileira. O Instituto Moreira Salles liberou para download gratuito mais de 6 mil gravações em domínio público, num projeto que cataloga e digitaliza discos de 78 rotações gravados entre 1902 e 1964. Tem Chiquinha Gonzaga, Ernesto Nazareth, João Pernambuco e Noel Rosa, de graça.

  2. Rádio Batuta. A rádio online do IMS, que hoje tem programação de música brasileira 24 horas por dia, com documentários, entrevistas e atrações de música clássica e jazz. Boa companhia para trabalhar sem pressa.

  3. Tudo Tem Ritmo. Newsletter do parceiro Gui Guedes, que já está nessa pegada da música há muito tempo e consegue desenvolver seu próprio senso crítico sem se deixar influenciar pelo bafafá internáutico.

  4. Jay-Z In 8. Uma produção de oito episódios com um papo íntimo entre o rapper e o produtor Rick Rubin. Não sei o que me chamou mais atenção nos primeiros episódios, se foi a capacidade de o barbudo fazer perguntas e provocações ou a mente brilhante do Jay-Z. Não sabia um terço da vida que esse cara teve.

  5. O Doc: It's Never Over, Jeff Buckley. Sensível e emocionante. Jeff sentia muito e a música dele traduzia isso. Eu só conhecia um disco dele e duas músicas. Vale assistir.

compartilhando aleatoriedades

A news da Maria Clara, a Galáxia, é muito legal. Ela é uma garimpeira de links úteis nessa internê de Deus. Os shows do Bona que não podem faltar. O último livro que eu li (e pelo amor de Deus, que livro), com essa lanterna para leitura 🙃. Os bordados da Bordados pra Iaiá. O podcast Música em 360. O Tiny Desk do Criolo. A participação icônica da Negra Li no videocast Troca Rima. Essa obra de arte do Yung Lean (absolute cinema). E por falar em cinema, a série sobre o Martin Scorsese.

Começamos. O que eu pretendo com essa iniciativa? Trocar ideia. Me aproximar de vocês para formar um grupo de gente que pensa. Promover encontros pessoais no meu QG aqui em São Paulo. Aprender me divertindo.

guss

Pode responder este e-mail, porque eu leio tudo.

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