Todo dia doze de outubro eu fico vendo aquele monte de gente postando foto de criança e me dá vontade de postar a minha, também. Não posto. Mas ao procurar uma foto, me dou conta do quanto tive uma infância bonita e logo me vem a sensação de que todos os caminhos até aqui me levaram de volta aos interesses daquele menino da foto que eu não postei.

Não vou ficar aqui filosofando sobre o assunto, mas é meio estranho pensar que grande parte do que sou hoje é também uma necessidade da minha infância. E que sim, a infância é um terreno que a gente pisa a vida toda. Não sei bem quando eu deixei de brincar e virei esse adulto rabugento, cheio de manias, impaciente.

Só sei que minhas filhas estão brincando no jardim enquanto escrevo e eu consigo ver ter consciência da importância do meu papel na criação delas. E sei também que vou passar a vida me esforçando para cuidar delas e da minha criança, que volta e meia aparece sem avisar.

Ilustração em preto e branco: um disco de vinil gigante curvado como um escorregador sobre uma pilha de livros, com crianças descendo, uma pessoa empinando pipa e um homem lendo na base.

quando foi que paramos de brincar? pensado por mim, desenhado com ia

somos quem podemos ser, sonhos que podemos ter

Está complicado acompanhar "todo peso do mundo em nossas costas". Eleições, notícias ruins, big techs, algoritmo controlando nossos desejos, contas para pagar e os compromissos da vida adulta com que tanto sonhamos. A gente vai se acostumando a achar que sonhar é coisa de quem ainda não entendeu como o mundo funciona. Todo sonho parece meio utópico.

Esses dias, um amigo me disse: "Resolvi mudar de sonho porque o outro ia dar muito trabalho." A gente quer poder sonhar sem imaginar o trabalho que dá. Feito criança. Feito minha filha, que me disse que quer ser escritora, cientista, cantora, tenista e "uma pessoa feliz".

Cada vez que a gente escolhe o possível no lugar do desejado, a gente apodrece um pouco. Reescrever quem somos deveria ser um exercício diário antiapodrecimento. Caminhada, proteína, creatina, musculação e pensamentos para reescrever quem somos. Ações, também. Porque não adianta pensar e não fazer nada com isso. A inércia também apodrece.

Agora chega de papo de coach. Vamos para as coisas legais que eu vi por aí.

compartilhando aleatoriedades

Esta lista com as 100 melhores séries do século 21, segundo o New York Times, para você salvar e esquecer depois. O último aplicativo que baixei para o meu computador (macOS). O perfil do Brazucasounds, que fez uma lista com os 50 Best Brazilian Albums, e foi a primeira lista com a qual eu concordei em quase tudo. Este episódio do podcast Lan House, do Matheus Sodré, sobre democracia e algoritmo, que estudou a genealogia das redes sociais para entender o impacto delas na nossa forma de pensar politicamente. O site que reúne trabalhos artísticos que caíram em domínio público. Os prints deste perfil. Este aplicativo, que ajuda a controlar o tempo de tela "forçando" você a respirar por quinze segundos antes de conseguir abrir alguns aplicativos em que você, assim como eu, abusa do tempo. A programação do Bona. O novo single duplo do Emicida os artigos da The School Of Life

destaques para:

  • O doc Alucinação, que celebra o LP de 1976 do Belchior, compositor e poeta cearense que se destacou na música popular brasileira. É do diretor Renato Terra, que já fez outros docs lindos, como aquele sobre a prisão do Caetano.

  • Este outro doc: Oasis: Don't Look Back in Anger, que me deixou besta por eu não saber o real tamanho dessa banda, que parou em 2009 e voltou com uma turnê histórica em 2025. O documentário aborda de forma fantástica a catarse do encontro, mas deixa no ar um recado bonito sobre reconciliação. Seria este o motivo de arrastar multidões? Ver dois irmãos brigados, reconciliados? O perdão, sem dúvida, evoca emoções. Com trilha sonora, então.

  • O encontro entre Thom Yorke e Harry Styles para conversar sobre a vida criativa, composição e a alegria de ouvir Radiohead
    (para quem não sabe, Radiohead é minha banda favorita até este momento)

  • Tiny Desk Brasil: Paulinho da Viola, para acalmar os nervos com a voz mais macia da música brasileira.

Abraços,

Guss

Pode responder a este e-mail, que eu leio tudo.

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